EUA: e eu com isso?

EUA: e eu com isso?

O que significa o rebaixamento do rating dos EUA para nós, pobres mortais?

Os comentaristas econômicos normalmente tornam esses assuntos muito complicados. Assim, para quem se interessa e se preocupa com o que está acontecendo à sua volta, segue uma explicação simplificada sobre as consequencias e como isso impacta as nossas vidas.

Quando uma agência de classificação de risco rebaixa a nota de uma instituição, ela está dizendo que tal instituição está mais vulnerável ao risco de não pagamento das suas obrigações. Esta é a primeira vez na história que os EUA são rebaixados.

Os EUA sempre foram considerados um “porto seguro” para a poupança e investimento de empresas e países como a China e o Brasil, por exemplo.

O que deveremos esperar a partir dessa segunda (08/08) é uma volatilidade excessiva nas Bolsas dos EUA, ou seja, os indices subindo e descendo freneticamente. Os investidores procurarão se desfazer dos seus títulos amparados pelo governo americano, os substituindo por outros ativos como o ouro e o franco-suiço e ainda transferindo investimentos para outros mercados, como Países que pagam juros altos, como o Brasil. Obviamente, essa movimentação nos mercados internacionais se refletirá também aqui no País.

Como recentemente vários Países também tiveram as suas notas rebaixadas, e o Brasil manteve a sua classificação de investimento, é esperado um grande volume de dólares entrando no País. Isso acarretará ainda mais a desvalorização da moeda americana por aqui e uma consequente sobre-valorização do Real.

Com a queda do dólar, as commodities como ferro, aço, soja etc, ficarão mais caras, o que como consequência deverá aumentar os indices de inflação no Brasil, pois essas commodities também são consumidas no mercado interno.

Pode-se esperar ainda um deficit ainda maior na balança comercial. Devido ao dólar baixo, as exportações deverão cair ainda mais e as importações deverão crescer. Se, por um lado, tais importações podem ajudar a conter a inflação (pois aumenta a oferta de produtos e a concorrência), por outro, as empresas brasileiras serão extremamente sacrificadas. Se essa situação perdurar, a indústria terá que cortar custos e poderemos esperar muitas demissões no setor. Com as demissões, aumenta a inadimplência, diminui o consumo e se desenham no horizonte as nuvens cinzas da recessão.

Em resumo, todos nós fazemos parte de um mesmo “eco-sistema”. O sucesso ou fracasso de um, impacta em todos nós.

Marcos Figueira é sócio do Wyse Group, Brasil (wyse.com.br) e professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas) nas áreas de Marketing, Marketing Digital, E-Commerce, Negócios Online, Planejamento Estratégico, etc.